Entre M�e e Filha
� um blog escrito a quatro m�os, m�os da mam�e, a Nina e da filhinha, a Laura (ou Yume).
Falamos sobre v�rias coisas. A mam�e sempre lembrando das coisas da sua vida, da sua inf�ncia. A filhinha, suas experi�ncias, seu aprendizado, suas pequenas loucurinhas em terra estrangeira.
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02/04/2008 03:54
Vovó Nina?
Eu tenho um blog, uma página que não está num caderno, nem num diário, que divido com minha filha Laura. Ela quase não escreve nele, acho que ela tem outros interesses maiores do que compartilhar segredinhos com a mãe. Mas enfim, tenho um blog. Tenho dois.
Aqui e acolá escrevo coisas que estão alojadas na memória. Um dia o pai dela perguntou porque e para quem afinal escrevo tanto.
Acho que pra ninguém, ou pra mim mesma. Pra me certificar de minha própria sanidade, da saúde das minhas lembranças.
Eu escrevo porque não quero esquecer. Não quero esquecer o que vivi, quero deixar registrado num espaço que é meu, e ao mesmo tempo, não é, nesse espaço que é de todos e não é de ninguém, registrar num espaço cibenético, que não é sideral, mas que é um espaço onde a estrela sou eu mesma.
E mesmo depois que eu cansar de tudo isso, cansar de escrever, e mesmo depois que todas as lembranças forem colocadas pra fora, e elas estiverem esgotadas e delas não sobrar mais nada das minhas saudades, das minhas lágrimas e das minhas vivências, vou poder apagar tudo, deletar e reescrever em outro caderno, em outro bloco de anotaçoes, em outro diário, porque assim somos nós. É por isso que estamos aqui. Para aprender com nossos próprios escritos, e uns com os outros.
Minha família, minhas queridas irmãs, meus amigos, minha infância, minhas vivências, minhas pequenas lutas, meus filhos estão todos aqui. Nas minhas lembranças. E vou passar adiante aquilo que aprendi da vida que levei. Quero ter a pretensão de fazer parte das lembranças dos meus filhos. Quero que meus netos saibam que a vovó Nina curtia escrever. E vou repetir pra eles, com a mesma emoção de hoje quando conto uma história pra os meus 2 filhos de um dos muitos pedacinhos de retalho da minha colcha. E vou contar cada coisinha que puder lembrar, mesmo que os netinhos repitam o que os filhos hoje já dizem: „sim vó Nina, eu sei, você já contou essa história“.

Ou quem sabe eles falarão: „Ahh vó Nina, já li no teu blog essa parte, conta outra historinha“, e aí a vovó Nina vai ter que inventar histórias, porque até lá talvez a memória já tenha ido pro beleléu e o blog também...
enviada por Nina
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