Entre M�e e Filha
� um blog escrito a quatro m�os, m�os da mam�e, a Nina e da filhinha, a Laura (ou Yume).
Falamos sobre v�rias coisas. A mam�e sempre lembrando das coisas da sua vida, da sua inf�ncia. A filhinha, suas experi�ncias, seu aprendizado, suas pequenas loucurinhas em terra estrangeira.
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03/04/2008 08:41
"É pelo sonho que vamos"
Hoje estou com vontade de falar de sonhos, desses que temos quando estamos acordados.
A Cris de Bourbon no primeiro aniversário do seu blog, quis fazer algo diferente e pediu que suas leitoras de blog escrevessem algo no estilo do livro "O Segredo", no qual acredita-se que tudo está dentro da gente mesmo, que tudo é uma questão de acreditar e viver como se o sonho já estivesse sido realizado. Topei a brincadeira. Hoje resolvi colocar aqui no post, pra vocês, que tiverem paciência suficiente, lerem.
Acho que é legal porque estou falando de esperança e crença num futuro melhor.
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Depois de muito chorar, e me sentir aos frangalhos, como todo dia, me levanto e me preparo pra mais um dia de luta. Pego o ônibus de 1 hora da manhã em direção a Manaus, e encaro 4 horas de viagem. Durmo e acordo com os solavancos do ônibus, sonho com uma melhor vida pra mim. Chego em Manaus ainda escuro, e tiro uma soneca sentada nas poltronas desconfortáveis da rodoviária, junto de pessoas que não têm um teto pra dormir. Ali me sinto uma mulher de sorte, apesar de chorar todo dia.
Quando finalmente o dia clareia, pego um ônibus até a faculdade. Passo um dia lá, entre livros, aulas práticas e bocejos, mas me sinto feliz por fazer algo por mim. Às 19 horas do mesmo dia, pego o ônibus de volta, mais 4 horas de viagem.
Chego em casa muito cansada, as crianças já dormem, o marido ainda briga. E eu vou dormir e procurar nos meus sonhos, a paz que preciso. E faço essa viagem a Manaus duas vezes na semana. Em uma outra semana, fico por lá 4 dias, numa outra 3 dias, enquanto meus filhos sentem minha falta, meu marido reclama pra eu voltar, apesar de apoiar a minha volta a faculdade deixada há uns 3 anos e eu me sinto a mais culpada das criaturas. Mas sigo em frente.
Numa dessas minhas 4 horas de viagem, decido que não posso mais ficar com ele. Estou cansada de sofrer todo dia. Mas não tenho força e nem dinheiro pra sair de casa. Decido permanecer ali, debaixo do mesmo teto, mas separados. Ficamos assim por 3 ou 4 anos!
As brigas continuam, mas me sinto diferente. Tem algo renovado dentro de mim. Me formo finalmente na faculdade, arrumo um bom emprego em 3 meses e saio de casa, porque ele se recusa a sair. Alugo uma casinha, pequena como de boneca, e mudo com poucas coisas que eram minhas. Peço um CD dele, dos Titãs, ele não me dá. Ele está muito chateado comigo e me diz que fui eu quem decidiu por separar, então devo ir sem meus filhos.
Me acabo de chorar depois que todos os poucos móveis são colocados na casinha, e meus filhos não estão lá pra me ajudar a colocar algum quadro na parede, ou decidir onde coloco a cômoda. Mas era necessário fazer algo, tomar uma decisão.
Aos poucos vou arrumando a casinha e ela fica bem agradável. Minhas amigas fazem festa de inauguração da "Casa da Nina" e assim a gente vai levando.
Nossas casas são próximas, as crianças eu vejo todo dia, depois da minha jornada de trabalho. Vou até a casa deles religiosamente, limpo e organizo a bagunça, conversamos um bocado, brincamos, depois ajudo nas lições de casa, passeamos de moto pela cidadezinha, ouço algumas palavras negativas vindas do ex marido e outras de vizinhas que não compreendem como uma mulher pode sair de casa e deixar seu „bom“ marido e seus dois filhos. Às 10 da noite vou pra casinha de boneca, pra acordar 4:50 da manhã e pegar o ônibus da empresa, que me leva ao meu trabalho na estrada.
Trabalho com pessoas que moram na floresta. Ribeirinhos que já não têm tantos sonhos. Mas têm a mim e ao meu chefe, pra ajudá-los de alguma maneira a encontrar sua dignidade perdida. Perdida assim como a minha.
Me encontro na felicidade infindável do meu sonho, onde estou feliz, com um amor sincero e bom. Um alemão me entrega uma aliança de noivado em cima das dunas de Jericoacoara, enquanto olho entre surpresa e feliz, as estrelas do céu de janeiro, perguntando se aquilo é mesmo real. Em alguns meses, me vejo na Alemanha. E casamos na minha cidade, na minha Manaus querida. Com meus amigos e familiares mais próximos. Meu filho de 10 anos me leva ao altar e minha filha de 13 carrega as alianças.
Meus filhos já estão comigo, e meu ex marido, aceita que eles venham morar comigo numa boa, não faz objeção alguma, porque ele sabe que sou uma boa mãe e ele afinal, é um ótimo pai. E ele agora reconhece meu valor. Esperei 14 anos por isso!!
Acordo. Estamos agora em Paris, o meu mais antigo sonho. Leio um jornal em frente a Torre Eifel e tomo um "café au lait" à beira do rio Sena. Meus filhos brincam sob o sol ameno da primavera, e meu marido fotografa esses momentos mágicos. Acordo. Tenho a paz que tanto pedi, aos prantos a Deus, no escuro do meu quarto. E acordo novamente. Agora, estou aqui no meu apartamento, escrevendo uma parte da minha historinha de vida, enquanto vejo a neve cair lá fora, vendo em relances o que passei, ao mesmo tempo que ouço as risadas dos meus filhos brincando. E meu doce marido me chama ao telefone, precisamos comprar mantimentos pra nossa viagem de feriado. E eu dou uma paradinha ao escrever para a princesa Fiona de Bourbon, mas não antes de complementar que SEMPRE vale à pena sonhar. Que mesmo que a vida esteja difícil neste momento, e que as lágrimas nos impeçam de enxergar algo melhor, a gente precisa olhar além da situação atual.
E jamais esmorecer.
Este é o meu segredo.
Esta é a minha Fé!
Detalhe: única coisa que ainda é uma não-verdade, é a tarde em Paris, mas já estamos nos programando pra isso. E mais um detalhe: meninas lindas, acreditem em seus sonhos!!! eles chegam na hora que vocês estiverem preparadas para recebê-los.
enviada por Nina
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