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Entre M�e e Filha
� um blog escrito a quatro m�os, m�os da mam�e, a Nina e da filhinha, a Laura (ou Yume). Falamos sobre v�rias coisas. A mam�e sempre lembrando das coisas da sua vida, da sua inf�ncia. A filhinha, suas experi�ncias, seu aprendizado, suas pequenas loucurinhas em terra estrangeira.







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    08/03/2008 06:00

    Hoje o assunto é sério

    Hoje, dia 08 de março, muito anos passados desde que operárias foram queimadas vivas dentro de um fábrica em Nova Iorque, porque lutavam por igualdade de direitos, existe um pequeno movimento na blogosfera, onde vários blogs estão fazendo o mesmo, ou seja, falando o que acha relevante para data, e existem mil assuntos pra abordar. O tema principal é a Valorização Da Mulher Brasileira, mas poderíamos então falar da violência doméstica?

    Violência sim. A minha voz vai se levantar hoje contra a violência que não aparece marcada no corpo no outro dia, que não leva a mulher finalmente a delegacia depois de uma semana de espera, e de medo, quando as marcas do espancamento já se apagaram, não servindo mais como prova de que ela apanhou do marido, do pai, do irmão. Ela não vai precisar ir ao encontro de policiais machistas que rirão nas suas costas na delegacia, lugar que como insitutição e por dever, deveria respeitá-la e ouvir seu desabafo, e seu medo. A mulher aqui, não precisa com essa violência, ir depor em lugar algum. Ela até poderia, mas ela está incapaz de perceber o mal que a aflige. Porque a violência a qual me refiro, não vai estampar páginas de jornais sensacionalistas no dia seguinte. Provavelmente não vai levar a mulher ao cemitério na semana seguinte, no mês seguinte. Mas vai matá-la aos poucos, vai minar aos poucos a alma dessa mulher. A sua auto estima. A violência a qual me refiro, é a violência não física, é a agressão psicológica. Aquela que mata a alma sem a gente notar. Que leva a mulher sofrer todo dia um pouquinho, calada e que faz a sua alma chorar todo dia, lentamente, silenciosamente, carregada que está de vergonha e de culpa. E esse todo dia, dura tantos anos... e esses anos são tão surdos, são mudos, são tão longos...

    Um homem deveria dar a sua mulher respeito. Amor. É pra isso que eles se uniram um dia, era essa a intenção do começo. Não saberia dizer o porquê da mudança. O que sei é que muitos mostram quem são ainda no namoro, mas a mulher que por sua natureza é romântica e fantasia demais, se faz de cega. Não quer enxergar o óbvio. Ela espera que no casamento ele mude. Não muda. Pode piorar, mas não muda.

    A mulher já não faz nada que preste. A comida está uma merda. Ela é uma péssima mãe. Ela é idiota,ela é feia, ela é burra, ela não cozinha bem. Ele tem uma sogra que foi a culpada por ela ser quem é hoje. A irmãs dela viraram, de repente todas putas. Ele, xinga, desrespeita, empurra, esculhamba, humilha, fala alto, pisa, bate com palavras, violenta essa mulher, todo dia. Todo santo dia. Ela não tem paz dentro de casa, nada do que ela faz está certo. Nada do que ela é, nada do que ela foi, presta mais. Tudo é mal visto pelos olhos ruins dele. Ele a trai fora de casa. Ele chega em casa sempre de mal humor. Ele fala que ela tem outros homens quando é ele o traidor. Ele leva doenças venéreas pra dentro de casa, e ela é a culpada. Ela se afasta da família, dos amigos. Porque ele faz questão de mostrar todo dia o quanto esses outros relacionamentos não são bons pra ela. Ele fala isso iniciamente em tom romântico, e ela acredita. E ele assim vai moldando essa mulher, todo dia aos poucos, até que ela passa a ser outra. E ela tem muito medo por dentro. Mas ainda não percebeu. Ele fala tanto, todo dia coisas ruins dela e pra ela, que ela já não acredita mais nos outros. Se alguém a elogia, ela recusa, porque já não acredita mais em si mesma. Ela se cala pra ela mesma. Ela não acredita mais que um dia prestou. Ela só ouve e crê no que ele diz, todo dia! Porque é uma lavagem cerebral. A mesma coisa. A mesma repetição. O humor dela depende do dele. Se ele sorri, ela sorri. Ele acorda de mau humor todo dia. E ela tentar fugir do seu olhar que despertou. Mas ele sempre a encontra no seu esconderijo, e trata de começar a ladainha de sempre. Ela ouve e captura tudo isso, todos os dias de sua vida com ele. Os filhos ouvem tudo. Ou não. Os filhos crescem nessa presença negativa e perdem o respeito pela sua mãe. Ou passam a odiar o pai. Ou pior, procurarão inconscientemente, relacionamentos como o dos pais. A menina passa a ver que aquilo é normal e vai se calar achando que já que a mãe passou por isso, ela também precisará passar calada, o menino, pode achar tudo normal, o pai ainda é o herói dele, e ele vai poder fazer o mesmo com a sua mulher quando ele crescer. E assim o ciclo continua.

    Essa agressão dói mais que a física. Ela pode levar um tapa ou dois, o seu rosto vai arder por uma noite. Mas nada pode apagar a dor que sua alma sente. E ninguém pode enxergar o que ela tem por dentro. E essa mulher já está acostumada, e já está tão arraigado nela, que as forças que ela tinha antes, já não existem mais. Difícil é sair desse ciclo. Ele está coberto de razão. Sempre esteve.
    Ele faz piadas sobre o tema e ela ri. Os outros riem. E ela ainda não viu o perigo ali. Na frente das pessoas, ele a destrata. Ele tem um tamanho tão maior do que o dela. Ela se vê em apuros. Mas a mãe dela não sabe. A irmã só vê tudo calada. A amiga comenta, mas ela foge do assunto. Porque ela se calou achando que isso é normal. O que ela pode fazer contra isso? Ela acredita, erroneamente, que a religião acha que é certo o tratamento que ela recebe.
    Ela não tem noção de estar sendo violentada, porque esse tipo de violência não sai em jornais.
    E ela nunca foi informada que alguém pode bater nela sem deixar marcas no seu corpo. Ela não reagiu antes, tinha medo de ficar só. Ou tinha pena dele.

    A saída desse ciclo doentio é dificil, é dura, mas é possível. O respeito mútuo deveria existir sempre, a fim de que o relacionamento seja baseado na verdade e seja saudável para ambos. Partilha é a palavra. Respeito é a palavra.
    A agressão psicológica é doentia porque não é básica, não é clara, não é óbvia, não é estúpida, pelo contrário, o agressor usa de inteligência nas amargas palavras que profere, tudo é milimetrado, a agressão então se torna refinada, às vezes é tão sutil, que na sua persistência, ela impera. Continua.
    A agressão psicológica leva à doença psicológica e esta causará no futuro, a doença física dessa mulher e muito provavelmente seus filhos desenvolverão algum problema também.

    Qual seria a solução? Eu só conseguirira ver um: o fim!!! Já não existem mais laços entre esse casal. A solução muitas vezes passa a ser somente o fim do relacionamento, porque na verdade, esse fim já existia desde o começo.

    Ela só não queria enxergar.



    Nós fomos criados para caminharmos juntos, lado a lado. Se eu não tenho isso com você, meu companheiro, eu vou procurar ter, estar sozinha é melhor que estar mal acompanhada. Vou dar a minha própria mão à minha alma ferida e fazê-la levantar novamente. Porque eu nasci pra ser feliz!




    Dia 08 de março, foi o dia escolhido pra representar internacionalmente o dia da mulher. Poderíamos ganhar flores, docinhos, beijinhos, mas isso pode até ser um mimo pra algumas que são amadas e respeitadas dentro de casa, mas não para muitas. Milhares. Milhoes de mulheres que sofrem abusos não só dentro de seus lares, mas nas ruas, nas propagandas, nos ônibus, no trabalho. Crianças, meninas, jovens, senhoras, idosas. O abuso e desrespeito estão em todas as classes sociais, idades, religioes.

    Hoje é dia de luta. Dia de não se calar para a injustiça que sofremos.

    Este blog está quase sempre falando coisinhas sensíveis, de esperança, de crença no ser humano, tentando tocar a alma das pessoas de forma delicada, com as lembranças que a mãe que aqui escreve tem de seus filhos quando pequenos e de suas descobertas, ou ainda de sua própria infância, aquelas lembranças de amor guardadas no coração. Mas existem momentos que a gente precisa parar e falar muito sério. Hoje é um desses dias.

    enviada por Nina






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