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Entre M�e e Filha
� um blog escrito a quatro m�os, m�os da mam�e, a Nina e da filhinha, a Laura (ou Yume). Falamos sobre v�rias coisas. A mam�e sempre lembrando das coisas da sua vida, da sua inf�ncia. A filhinha, suas experi�ncias, seu aprendizado, suas pequenas loucurinhas em terra estrangeira.







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    27/02/2008 06:28

    Anjos à sua volta

    Você já encontrou anjos pelo caminho?
    Eu já! Na verdade, muitos.Muitas pessoas já cruzaram meu caminho e me ajudaram de algum forma, eram anjos, mas dificilmente dá pra perceber.
    Nossa ignorância e insensibilidade nos faz cegos, nos torna incapazes de percebê-los,
    mas algumas vezes eles são tão visíveis que podemos notar, e até agradecer.
    Uma vez aconteceu comigo.

    Estávamos eu e meu marido, cansados, voltando de uma viagem, dois dias sem dormir direito, super cansados, depois de um vôo atrasado e com pouso em outro aeroporto, devido mau tempo. Com fome, cansados, e ainda precisando pousar numa outra cidade. Precisávamos pegar um ônibus e um trem, pra só daí, pegar o carro que ficou no outro aeroporto. Não tínhamos dinheiro, porque o que tínhamos era euro, e onde estávamos, euro não era aceito. O caixa automático não funcionava e não havia nenhum sinal de outro caixa por perto, ou seja, nem dinheiro pra o ônibus nós tínhamos. Eu estava calada, procurando entender o que meu marido xingava sem parar. De repente, veio uma mulher do nada e nos ofereceu o dinheiro para o ônibus. Disse que havia visto meu marido tão esbaforido, que precisava fazer alguma coisa por nós.
    Meu marido ficou olhando pra mulher, uma jovem senhora, de uns 50 anos, cabelinho branco, curto, um olhar sereno e um contante sorriso no lábios, tinha uma mochila nas costas e estava também de partida, iria passar uns dias em Paris, com uma velha amiga.

    Meu marido ficou calado e extremamente envergonhado, por reclamar tanto sem prestar atenção aos sons que o mundo faz. Sem ouvir o ruflar das asas dos anjos em volta.

    Eu perguntei então, o que poderíamos fazer por ela, e ela disse: „hmm, talvez tomarmos juntos uma coca cola no aeroporto“.

    Tomamos um café, uma coca, comemos um croissant, agora já com o dinheiro que pegamos num caixa automático do aerporto, e esperamos com ela na fila de embarque, até a hora de seu vôo. O anjo iria voar de avião naquele dia, e não com suas asas, como de costume.

    Agradecida falei com Michele, era esse o nome do anjo aquele dia, que ela foi um anjo para nós. Não somente por nos dar o dinheiro que precisávamos, mas por mostrar que sempre existe uma saída.

    Ela riu e disse que não era anjo, que apenas sentiu vontade de nos ajudar.

    Anjos são assim, dificilmente revelam a sua verdadeira identidade.




    Não feche seus olhos para as belezas da vida, e procure enxergar mais do que o simples e talvez complicado momento presente
    enviada por Nina






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