Entre M�e e Filha
� um blog escrito a quatro m�os, m�os da mam�e, a Nina e da filhinha, a Laura (ou Yume).
Falamos sobre v�rias coisas. A mam�e sempre lembrando das coisas da sua vida, da sua inf�ncia. A filhinha, suas experi�ncias, seu aprendizado, suas pequenas loucurinhas em terra estrangeira.
Blogs e outros links que gostamos muito
21/04/2008 07:29
Mudamos de Endereço!!!
Mudamos amigos!! Basta clicar aí embaixo, entrar sem bater, e ficar à vontade. Nosso Novo Blog
Passa lá hein?
enviada por Nina
18/04/2008 04:58
O Tema Hoje é Educação
Hoje acontece mais um blogagem coletiva, agora com o tema: "O que você faz para acabar com o analfabetismo no Brasil?" Vários blogs estão tratando do mesmo assunto e nós claro, não poderíamos ficar de fora de um assunto tão importante como este. Apesar de não ficar de fora, vou fugir um pouco do tema, eu acho, porque sou sincera em afirmar que nada faço contra o analfabetismo, já que nunca tive chances de ajudar alguém a ler, a não ser meus próprios filhos, alguns amigos deles, alguns filhos de vizinhos ou poucos sobrinhos.

E vale afirmar ainda que analfabeto é aquela pessoa que não consegue ler ou escrever, mas também aquele que não entende o que lê (analfabeto funcional). E infelizmente esse número é maior do que o de analfabetos propriamente dito.
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Sempre fui uma pessoa muito preocupada com minha própria educação, me esforcei muito para melhorar meu desempenho na escola. Tive grandes problemas nos primeiros anos da minha vida escolar. Comecei a frequentar a escola tarde, um ano mais tarde que o normal, não lembro de ter frequentado jardim da infância. Lembro que aprendi a ler sozinha, com minha irmã, porque isso não foi-me ensinado na primeira série. Eu sempre tive sede de aprender. Acho que já percebia que nada me seria dado de graça.
Da primeira a terceira série do que chamam hoje, ensino fundamental, tive sérias dificuldades, porque tive professores muito ruins. Mas o ano mais difícil pra mim foi a terceira série, quando as coisas na escola começam mesmo a esquentar, e pra completar, eu tinha uma professora que era uma verdadeira bruxa, chegava a ter pedadelos com aquela mulher, de olhos arregalados e cabelos desgrenhados. Ela só faltava me chamar de burra, se é que não me chamou e eu já esqueci. Eu tinha tanto pavor dela, que nas suas aulas eu inventava uma dor de barriga qualquer e me escondia no banheiro até o sino bater e a bruxa voar com sua vassoura até a próxima turma, que ela iria enfernizar com sua risada debochada e olhar crítico. Ali, com aquela péssima aula, e péssima professora, começou meu martírio em matemática.
Em decorrência desse difícil começo, vivi grandes dificuldades no ginásio, no ensino médio, na faculdade. Durante todo esse período fiz das „tripas coração“ para me melhorar, ralando muito pra entender o que já deveria saber há muito tempo. Foi assim, a duras penas, que descobri que temos nas escolas brasileiras, uma base muito fraca. Não era só eu que tinha problema na escola, outros muitos colegas tinham também, e o problema era que também os professores tinham uma base fraca e por sua vez, não sabiam passar adiante seus escassos conhecimentos.
Vejo hoje meus filhos, com certas dificuldades que eles não precisariam ter, mas eles têm, porque a base continua ruim. Anos se passaram desde minha terceira série e meus filhos continuam com as mesmas dificuldades que eu tinha. Por sorte as crianças de hoje têm mais recursos quando comparadas aos seus pais.
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Trabalhei com comunidades, distantes da cidade grande. Por 2 anos e meio, lidei com pessoas que não sabem ler ou escrever. Gente nova, com 25 , 28 anos, com uma porção de filhos (a média de filhos por casal era 6, repito: a média!!) igualmente analfabetos. Que apesar de estarem frequentando uma escola, possuem as mesmas dificuldades que os pais, e os avós tiveram. Muitos desistirão da escola, assim como seus pais, porque eles não vêem futuro melhor pra eles do que plantar mandioca no quintal, queimar a pele debaixo de sol na labuta diária, ter um companheiro, 10 filhos, envelhecer 20 anos em 2, e perder todos os dentes da boca. Assim, igualzinho como seus pais.
Eles não têm motivação alguma de ir pra escola, porque a base continua fraca e o que é ensinado não está adaptado a sua rotina diária, ao seu pequeno mundo do interior.
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As crianças no recreio comem qualquer coisa que compram na esquina, enchem a barriga de guloseimas sem nenhuma substância nutritiva, isso quando podem pagar. Muitos nas escolas públicas não têm o que comer em casa. Saem pra estudar sem o café da manhã, e muitas vão a escola somente pra comer algo, o que vem a ser talvez um farinácio, que vai somente encher sua barriga faminta, assim como sua mãe fazia com ele, a fim de matar a fome e calar a boca do bebê.
Sem paciência, sem instrução, sem leite materno, sem base alguma.
Como aprender algo na escola quando a base alimentar é tão fraca quanto o próprio ensino??
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Existem recursos para a educação. Existe também desvio desse recurso.
Existem bons projetos que tramitam no governo. Existe também quem emperre tais projetos.
Existem boas escolas. Existem também milhares de péssimas escolas.
O pior problema no Brasil é a corrupção, que desvia dinheiro público, que seria destinado pra serviços elementares como saúde e educação, diretamente para contas de outros. „Os culpados de nosso subdesenvolvimento somos nós mesmos, ou melhor, a melhor parte de nós mesmos: nossa classe dominante e seus comparsas“ Darcy Ribeiro
A base sempre foi fraca, continua fraca e muito pobre.
Igualmente como a mentalidade de muitos.
"Lugar de criança é na escola" (e de preferência, numa boa escola)

Algo forte pra se pensar:
"Quem acaba com o analfabetismo adulto é a morte. Esta é a solução natural. Não se precisa matar ninguém, não se assustem! Quem mata é a própria vida, que traz em si o germe da morte. Todos sabem que a maior parte dos analfabetos está concentrada nas camadas mais velhas e mais pobres da população. Sabe-se, também, que esse pessoal vive pouco, porque come pouco. Sendo assim, basta esperar alguns anos e se acaba com o analfabetismo. Mas só se acaba com a condição de que não se produzem novos analfabetos. Para tanto, tem-se que dar prioridade total, federal, à não-produção de analfabetos. Pegar, caçar (com c cedilha) todos os meninos de sete anos para matricular na escola primária, aos cuidados de professores capazes e devotados, a fim de não mais produzir analfabetos. Porém, se se escolarizasse a criançada toda, e se o sistema continuasse matando os velhinhos analfabetos com que contamos, aí pelo ano 2.000 não teríamos mais um só analfabeto".
Darcy Ribeiro
enviada por Nina
17/04/2008 05:14
Gostei, mas hoje to toda quebrada...
Quem viu o comentário da Laura no post da Mama Galinha, soube que eu ando dançando pela casa. Danço mesmo, chamo a molecada e o João que antes adorava dançar com a mãe, agora só quer dançar Hip Hop, isso aí eu não danço não. A Laura diz que tem a sua dignidade a zelar, que não dança (onde já se viu??!!!). Então eu danço sozinha! to nem aí. Adoro.
Mas, tava me sentindo meio parada e o maridon teve uma idéia, porque não dançar num aula? Ele tem uma colega de trabalho que faz isso e me convidou, seria bom pra mim, fazer algo por mim e de quebra, conhecer pessoas (na Alemanha não é muito fácil fazer amigos). Pois comecei ontem. O tipo de dança não é muito do meu agrado, é coreografada, lembra do Jazz? não a música, mas o tipo de dança que fazíamos muito nos anos 80??? pois é! ahahaha, me senti quando fazia isso com minhas irmãs e nossa prima Kit, e saíamos todas metidas de polaina e meião pelas ruas de Manaus, rsrs. Mas confesso que adorei. Foi muito legal, a mulherada é super simpática, todas na faixa dos 40. Eu me diverti à beça, errei todos os passos, todo mundo ria junto comigo. Elas já fazem isso há um bom tempo e eu, bom, eu fazia isso quando tinha 13, 14 anos. Mas vai, não estive tão ruim não.
É bom porque a gente faz ginástica, um pouco de balé e o próprio jazz, em ritmo coreografado. Adorei, mas apesar disso, ao me ver ofegante quase morrendo num canto, a professora falou: "xii a Nina talvez não volte na próxima aula". Eu vou surpreendê-la quarta feira que vem. Vou dar uma de Olivia Newton John e ninguém me segura!!
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E só pra lembrar que amanhã tem assunto sério por aqui e em vários outros blogs. Vamos todos falar sobre educação, em mais uma blogagem coletiva. E se você ainda não se inscreveu na lista, pega esse selinho ai debaixo, coloca no seu blog e passa lá na Geórgia, acho que ainda dá tempo, eu acabei esquecendo de informar sobre isso, sorry!!
Mas tenta passar lá, fale vc também sobre esse assunto tão importante pra nosso país.

enviada por Nina
16/04/2008 05:57
Sobre amores e blogs
Hoje em dia quando penso sobre o amor, o que me vem à cabeça é algo como este blog. As pessoas costumam falar que amor é igual a uma plantinha, que precisa ser regada continuamente. Concordo.

Mas agora que tenho este blog posso dizer que amor é igual as relaçoes que tenho com ele.
Todo dia venho aqui, olho com carinho, leio e releio, olho tudo um pouquinho, vejo comentários, choro, me alegro e me emociono, escrevo. E o amor não pára por aqui. Ele se distribui quando eu visito outras casas.

E há uma correspondência ou não entre nós.
Porque eu tenho que ir mais de 20 vezes comentar num blog fora do meu, se esse blog não vem uma vez sequer olhar o que é meu?
Eu vou, leio e releio, visito posts passados, comento, dou meu amor, me dôo, e não tenho o amor correspondido. Então canso, e não me dou mais. Simples assim, como deveria ser alguém que na vida, não recebe o que dá. „Ahh, você não me quer? Então, sorte minha, vou sair de fininho de você.

Tchau!"
Mas quando há a troca, o outro vem e retribui o que recebeu. Eu por minha vez, vou e volto. E assim o amor é transportado, é reciclado a cada comentário, a cada post, o amor é renovado. E às vezes esse amor ultrapassa barreiras, vira um email, uma carta, um telefonema, um pensamento em algum lugar sobre alguém que já conheço „bem“, apesar de ser apenas por aqui, num click, e me lembro assim, meio sem querer, no dia a dia.
Torço por essa pessoa, peço a Deus por essa pessoa, me alegro por essa pessoa. E o amor está ali de novo.
Muita coisa se vê em blogs, coisas boas e ruins, coisas bobas e importantes. Mas tenho notado que tudo que permanece de fato, pelo menos para mim, e devido as minhas necessidades, é o amor.
Eu posso gostar de amenidades, posso gostar de moda, de beleza e maquiagem, mas quem permanece é o que mais me interessa, e o que mais me interessa não é maquiagem, não é celebridade.
Mas em vários blogs visitados, vejo que leio, leio e não absorvo nada. Porque o fútil passa por mim sem deixar marcas.
Já o amor fica, permanece e essa marca é indelével. Pessoas que não amam niguém, pessoas que brincam com o amor dos outros, essas passam.
Não gosto de um blog que perde seu carinho por quem vai lá.
Tem blogs que recebem tanto amor e não corresponde nenhum.
Tudo fica impessoal demais.
E esses me fazem lembrar pessoas que são amadas mas que não enxergam o amor que recebem, não pensam no outro.
Ao mesmo tempo leio blogs sérios, leio principalmente os que me falam ao coração e existem alguns que não precisam vir aqui por que o amor é muito grande, a gente percebe, e ele é dividido com muitos. Assim, um amor puro, amor que não cabe de tão grande, amor distribuído.

E é assim que me encontro no amor sincero dos pequenos e simples. Nos pequenos blogs onde por trás deles existem grandes pessoas, que entendem o quanto o amor precisa ser regado como uma planta, ou alimentado diariamente com um novo post, com um comentário de reciprocidade.
E que entende principalmente que às vezes é melhor sair um pouco do blog, e olhar em volta, porque os que amamos estão também aqui do nosso lado, só esperando ser clicados, com receio de serem deletados. Desejando no fundo, apenas serem regados.
Este post é em homenagem às minhas pessoas queridas, Carlinha, Carol, Márcia, Núbia, Pitanguinha, Lino, Ro, Juli, Daniel, Papai Ruy, Klo, Keury, Lou, Cris, Cris,Cris (rsrsrs), Ju, Sabrina, Balzaquiana, às pessoas que lêem mas não comentam, e você.
enviada por Nina
15/04/2008 07:54
Ahh mãe, demorou mas agora entendi...
Queria tanto não ser uma mãe desesperada, sabe aquela mãe zen, tranquiiiila??
Xii, será que ela existe???
Porque será que toda mãe tem sempre que pensar o pior???
ou será que sou somente eu a desesperada aqui??
Não aguento esse jeito de querer ser a Mamãe Galinha, aquela que precisa ter todos os filhotes debaixo das asas super protetoras.
Filho é do mundo mama galinha!!! entende isso de uma vez coroquinha! Aaahhhh mas como entender isso??????
Alguém pode me dar uma luz?
Alguém pode me dizer: „mas teus filhos são ainda tão pequenos Senhora Galinácea Desesperada da Silva, deixa eles crescerem mais pra tu ver como é“....
Ai, eu sei de tudo isso. Leio e li muito sobre desenvolvimento deles. Observo muito e aprendo todo dia um pouco, sou uma mãe mais que esforçada. Mas meu coração galináceo não muda.
Como ver tranquilamente um filho dizer que vai dormir na casa de um amigo e não ficar preocupada? como ver calmamente um filho telefonando pra uma "amiguinha", suspirando e dando sinais que tá apaixonado? como ver um filho saindo com amigos sozinho, sem a mamãe pra ajudar numa necessidade qualquer? Sem poder segurar a mão dele na rua, ajudando a atravessar o sinal de trânsito, acompanhando os seus olhos pra saber pra onde eles estão olhando, protegendo de todos os problemas???
Sei que mesmo estando do lado, direto, problemas irão acontecer. Mas isso só o meu lado racional sabe, o instinto de mãe tá sempre presente, dificultando o entendimento, achando que é autosuficiente. Mesmo sabendo que não é.
E desde quando mãe é Deus?!
Sei, filho é do mundo e o mundo pertence aos filhos.
Mas mãe sofre, CARAMBA!
E a cada dia valorizo mais e mais a minha própria mãe, a dona Flora. Porque nós não fomos fáceis. Tente ter 5 filhos, 4 moças e um rapaz, e cada um com seu problema, com seus namorados (as), com sua tristezas, com suas notas baixas, com sua vontade de mudar o mundo, com suas resignaçoes quando viram que não seria possível, com suas novas famílias, com seus maridos problemas, com seus filhos...
É, ser mãe não é fácil, nega, mas vou te contar, é maravilhoso!
Deus me ajude e me dê sabedoria pra aceitar que não sou a dona do mundo nem dos meus filhos, que Ele faça a dona Galinha compreender que seus pintinhos precisam bicar pelo mundo afora, sem muitas vezes, a sua presença física, física (!!) pelo menos... e como ri a Laura, „Muahhhahhaha“.
Aaahh mas eu vou telefonar, mandar carta, mandar email e pagar passagem pra ir onde quer que eles estejam, e o marido que aguente as contas no fim do mês.

O desespero é tão grande, que já tô até pensando em arrumar outro bebê pintinho, assim, quando os maiores deixarem o galinheiro, o bebê fica, e quando o bebê crescer, já deu tempo de virem os netos pintecos, é assim que quero minha casa, sempre com crianças por perto!
enviada por Nina
14/04/2008 04:34
Museu, Vida e Morte
No fim de semana estivemos no Museu de Basel pra vermos a exposição Fundo do Mar. Já era o último dia dessa exposição especial no museu, porque ela deve visitar outros museus, já que não era permanente.
Interessantíssimo. As crianças se sentiram dentro do mar. Até num pequeno submarino elas entraram, onde havia 2 poltronas e uma grande tela passando imagens que o próprio fez do fundo mar, e com aquele barulhinho natural do submarino que se ouve nos filmes bip bip bip...
Esse museu por sinal é lindo e enorme, tem vários andares e se autointitula Museu de História Natural : Arquivo da Vida.
E além desa exposição havia outras, de seres humanos e sua evolução, até vários tipos de animais, dos pequenos insetos aos enormes mamíferos.
É uma viagem à beleza da diversidade que temos no planeta.

* * * * * * * * * *
E já que estamos falando de museu, que mostra a vida e a morte, me pego pensando na luta pela manutenção da alegria da vida, apesar de tantas provas que passamos pra nos manter em pé, mesmo depois de tantas perdas.
E é por isso que penso em alguém muito especial agora.
Para quem ainda não conhece a História da Cris Guerra ou não assistiu na sexta feira a Matéria do Globo Repórter
aqui está uma chance.
Essa mulher, a Cristiana, descobre a cada dia, formas muito delicadas de lidar com suas grandes perdas pelo caminho da vida. Ela aprende e ensina. A Cris é mais uma de muitas mulheres, digna de grande admiração.
* * * * * * * * * *
enviada por Nina
11/04/2008 15:33
Racista? Eu??
Bom...primeiramente...mil perdoes pelo meu desaparecimento. Eu não ando escrevendo muito...e nem vou inventar uma desculpa, foi preguiça mesmo u.uv
Mas agora eu vou falar sobre uma coisa que aconteceu hoje comigo. Enquanto eu pegava o ônibus pra voltar pra casa, não parava de pensar: "tenho que escrever isso no blog, tenho que escrever isso no blog!"
Então vamos lá!
Vocês devem estar se perguntando (ou não né, sei lá): que raio de título é esse? Por que racista?? Bem, eu explico. Mas antes eu tenho que contar toooda uma históri(nh)a. Encaram?
...
Uma quita-feira bem normal. Acordei, fui pra escola, estudei, falei as abobrinhas de sempre, e fui pra aula de esporte das garotas.
Particulamente, esporte não é lá a minha matéria preferida. Não é que eu seja um enorme desastre (peraí, sou sim!) mas é que eu realmente não vejo a menor graça em ficar correndo pela quadra atrás de uma bola, uma colega ou sei lá o quê. Mas fazer o que né?
Ok, hoje nós jogamos tênis. Eu fui chamar a Mônica, uma grande amiga minha. Só que depois, uma outra amiga nossa, apareceu e disse que queria jogar com ela também. Nós meio que discutimos um pouco, mas no final, a Mônica resolveu ficar comigo.
Depois parecia estar tudo resolvido e nós ficamos rindo enquanto atravessávamos a quadra pra pegar as raquetes e a bola. A Mônica foi um pouco mais longe, atrás de uma bolinha amarela que saiu quicando pelo chão, e eu peguei o par de "grades" pra gente jogar.
Até que apareceu a minha outra amiga, aquela de antes, pra pegar duas raquetes também. Ela olhou pra mim e disse algo bem rápido e que eu não entdendi direito, mais foi parecido com isso:
-Ei Laura, por que você não quis fazer par com a outra menina ali? - ela apontou para a garota que tinha sido a minha parceira na ginástica - Por que ela é negra é?
-Quê?!
-E eu? Por que você não me deixou fazer par com a Mônica em paz? Por que eu sou negra também ou o quê? Sabe como isso se chama? Racismo!
-Do que é que você tá falando, hein? Eu nem percebi isso e...
-Racismoooo!
Eu fiquei como uma cara de "hã?", até que a Mônica chegou e começamos a jogar. Enquanto isso, a minha outra amiga arranjou outra pessoa (uma negra também) pra ser par.
Depois da aula, nós fomos ao vestiário pegar nossas coisas. A Mônica já tinha ido pra casa e eu fiquei tentando descobrir a melhor maneira de prender o meu cabelo. Rabo-de-cavalo ou fivela? Acabei deixando solto mesmo (nossa, que assunto mais inútil -.-).
Então eu vi a mesma garota de antes, tocando os tênis esportivos pelas botas de bico fino (nunca vou entender comos conseguem colocar os pés naquela coisa, nós temos cinco dedos no pé, e não só um enorme e pontudo! (mais um assunto nada a ver, ignorem)).
Então eu aproveitei pra ir lá falar com ela.
-Oi - fiquei em pé de frente pra ela. - Tá se sentindo melhor agora?
-Estou ótima - ela levantou. - Por quê?
-Porque eu queria saber...que história foi aquela de dizer que eu disse algo sobre a sua cor de pele. (pequeno detalhe: eu sou branca, só pra constar).
-Ué, e não é verdade?
-Mas...[prefiro não falar o nome dela -.-]...do que é que você está falando? Eu não disse nada sobre a sua cor! Dá pra explicar de onde você tirou isso?!
-É verdade! Você quis fazer par com a Mônica porque ela é branca que nem você! E eu não posso porque sou negra! É racismo!!
-Menina, de onde você tirou isso?? - nossas vozes foram de elevando um pouco - Não tem nada a ver! Quer parar de inventar coisa?!
-Não estou inventando! Eu sou negra e você é branca!
-E daí, caramba???
-É racismo!!
-Pára de pensar bobagem!!
Nessa hora, uma outra colega nossa veio perguntar que motivo era daquela gritaria toda. Olhei pra trás e vi que boa parte do pessoal no vestiário (só umas 8 ou 10 pessoas) estavam olhando pra gente, inclusive a professora!
-Frau Römer (o nome da prof.)... a Laura estava...
-Eu não fiz nada.
-As duas estavam falando sobre racismo - disse outra colega.
-Eu sei, eu ouvi - respondeu a professora. - Mas isso não é problema meu, elas tem que se resolver sozinha. Além do mais... - ela olhou o relógio - ...a aula já acabou garotas, o que estão fazendo aqui ainda?
Eu dei um olhar gelado pra minha colega escandalosa, peguei minhas coisas e comecei a andar até a rua. Ouvi a voz de alguém me chamando mas nem olhei pra trás. Racista, eu. Pode?!
Andei bem rápido até a estação onde pego o trem pra ir pra casa. Ainda faltava um tempo até ele chegar e fiqui esperando num banco.
Depois de alguns minutos, eu vi três garotas chegando. A que eu tinha brigado, a que tinha perguntado o porque da gritaria, e a que foi minha parceira na ginástica.
-Ei Laura... - a que tinha me chamado de racista chegou perto de mim - ...eu preciso falar com você.
Fingi que não ouvi e tentei me levantar pra ir embora. Mas ela foi mais rápida e segurou meu braço.
-Tá bom, tá bom - falei. - O que é?
-Eu queria me desculpar...o que eu queria dizer era que...bom, eu estava irritada...
-É, é. Eu vi.
-Tá. É o seguinte. Eu não quis falar racismo. Você devia mesmo ficar com uma garota banca e eu com uma negra. Pronto.
Eu fiquei de boca aberta. Quem era, afinal, a racista ali?
-P-peraí. Você acabou de dizer que...
-Eu sinto muito tá? Não fique brava, por favor!
Uma outra amiga me deu um lenço (as pessoas vivem com lenços de papel por aqui, é até estranho o.ô). Porque eu estava meio que começando a chorar. Mas não falei o motivo pra elas. Na verdade, acho que nem eu sabia.
Foram só duas lágrimas, mas elas interpretaram isso como uma desculpa e me abraçaram (bom, eu já ia desculpar elas mesmo...).
Mas o abraço acabou logo. O meu trem estava chegando e eu precisava ir embora...
...
Agora eu tô em casa. E a mamãe me mandando sair do computador. Bom, melhor apressar meus pensamentos.
Falando nisso, hoje, voltando pra casa, eu fiquei pensando sobre isso...pra mim tanto faz se ela (ou qualquer outra pessoa) é branca, negra, amarela ou azul. Pelo menos com cores, eu não tenho nenhum preconceito.
E também fiquei pensando que isso não afeta só o tipo de pele que a pessoa tem.
Eu olhei o vagão do trem e vi gente nova e gente velha. Gente negra e branca. Gente feliz e preocupado. Gente com piercing, de maquiagem, de saia curta, de casacos enormes. Gente religiosa e pagã. Gente que fuma. Gente que fuma demais. Gente que trabalha todo dia e gente que so está a passeio. Gente rica e pobre. Gente na moda. Gente brega. Gente que é gente.
...
Não sei porque as pessoas são preconceituosas às vezes. Ou quase sempre. Qual é o problema em "amar ao próximo como a ti mesmo"? Alguém me explica??
Somos todos seres humanos gente. E até os animais merecem ser tratados com respeito. Todo mundo divide o mesmo planeta, a mesma casa. E devemos estar unidos em todos os momentos.

Nos bons e nos ruim.
x3
enviada por Yume
10/04/2008 05:50
E se eu pudesse voltar no tempo??!!
Me pergunto o que eu faria se tivesse hoje o poder de voltar no tempo pra desfazer algo que fiz, ou refazer algo que desfiz. Pra onde eu iria? Em que ponto da minha vida eu voltaria pra consertar algo? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ? ?
Penso e acho que voltaria em poucos lugares e épocas da minha vida. Porque me acho muito bacana („modéstia às favas“, como diz Nirley) e por ser quem sou. Pois sou exatamente quem e como eu deveria ser. Que estou onde deveria estar, desde sempre.
Tenho aprendido a cada dia com meus erros e a cada dia estou mais ciente que minhas escolhas foram acertadas a cada situação, mesmo que muitas vezes elas tenham parecido erradas.
Há um arrajamento invisível muito além de quem somos, que coordena tudo, que organiza o caos, o inexplicável. O invisível. Uma força que denomino por Deus, Vida. E que você provavelmente pode chamar por outro nome.
Não, não preciso voltar a lugar nenhum do passado, porque sou absolutamente grata a Deus, pelo que sou, pelo que fiz, pelo que não fiz...
...
...
... mas pensando bem, voltaria sim, 3 vezes num passado distante.
* a primeira volta seria: Eu tinha 11 anos, e um pediatra da escola ao me consultar, disse que eu era pequena pra minha idade, e me receitou um medicamento. Eu tive vergonha (como sempre) e não comuniquei pra minha mãe.
* o que eu deveria ter feito: Dito pra minha mãe que ela tinha uma filha anã. Talvez hoje eu fosse alguns centímetros maiorzinha, buáááá.... (mas tudo bem, Nina, não precisa chorar, afinal isso não é tão terrível assim, vai...)
* sentimento da época: Vergonha demais;
***
* a segunda volta seria: Quando precisei na primeira de muitas vezes, parar a faculdade, e minha irmã Nil me ofereceu pra pagar os meus passes escolares e almoço na universidade que funcionava diurnamente em troca de eu não largar a faculdade pra trabalhar.
* o que eu deveria ter feito: Engolido o orgulho idiota e aceitado sua ajuda (super valeu a intenção maninha)
* sentimento da época: Orgulho demais;
***
* a terceira volta seria: Talvez a mais importante volta que eu faria na minha vida, quando um ser surgiu no passado pra atazanar meu futuro.
* o que eu deveria ter feito: Gritado a primeira vez bem alto e em bom som: „chama a polícia porque tem um maníaco aqui“. Mas, mas, eu não tinha conhecimento de como me defender.
* sentimento da época: Muito medo, aos prantos, muita culpa, triste, isolada, total incapacidade pra defesa, calada, mortalmente ferida, imunda, raiva contida, com nojo, alma no chão, nojo, nojo...
***
E você, voltaria aonde no tempo?

Um dia essa menina ainda dá um grito!!!
enviada por Nina
09/04/2008 04:50
Saudade
Nas primeiras semanas do blog, coloquei um vídeo muito bonitinho. Hoje revi e resolvi postar novamente. Eu acho tão fofo! Além de bonito, o vídeo me lembra meu paizinho. Quem quiser assistir e se enlaçar, basta clicar.
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Esse vídeo me lembra também o texto que a minha escritora preferida escreveu há algumas semanas e está concorrendo lá no site preferido dela. Se você está com vontade de ler algo bonitinho, eu recomendo o Flor de Cerejeira
Assim vc vê como Laura que deseja ser escritora, já tem muito talento.
enviada por Nina
08/04/2008 05:00
Dia Mundial de Combate ao Câncer
Minha avó morreu de câncer. Meu avô também.
Antigamente as pessoas não falavam essa palavra com medo de pegar, de atrair a doença para si ou por puro preconceito. Se bem que tudo acaba sendo a mesma coisa: preconceito talvez seja o maior câncer de nossos tempos. Preconceito. Ignorância.
Ainda hoje há pessoas que falam C.A. ou dão outros nomes. Não sei se esse é um termo médico e então pessoas que estão ligadas de alguma maneira a essa área usam o mesmo termo, mas acaba tudo na mesma coisa.
Outro dia estavámos num trem, eu, o marido e as crianças, e meu marido estava reclamando de algo que havia acontecido, quando um velhinho olhou pra ele e perguntou na cara dura qual era o seu problema. Meu marido não respondeu, no que o velhinho prontamente falou: „meu filho, se você tem algum problema você precisa falar e se zangar contra o que te causa o problema de alguma maneira“. Falou assim, sem esperar resposta alguma e eu só conseguia pensar: "mas que diaxo de velhinho é esse meu Deus? Porque ele se meteu onde não foi chamado? Mas, pois „nun“ é que ele tem razão?!“
Câncer é desse jeito, se você não fala, ele acaba falando por você, e ele entra na conversa assim, igual o velhinho no trem, sem ser chamado mesmo. Ele invade simplesmente e você não tem chance nenhuma de mandar ele se calar.
O melhor é falar e não ter medo de contagiar os outros, ir ao médico regularmente, se cuidar.
Se é mulher, ficar atenta ao corpo, aos seios depois do período menstrual, fazer anualmente o exame de colo do útero sem medo(ainda existem mulheres, por incrível que pareça, que não fazem o exame Papanicolau pensando que isso pode causar a tal da doença!). Se tem mais de 45 anos, fazer anualmente uma ultrassonografia das mamas; praticar sexo seguro, vide: USE CAMISINHA! evitando assim o HPV, que pode vir a causar o câncer de colo uterino; fazer do uso do protetor solar uma constante na sua vida, não somente na praia, mas regularmente, como se fosse um creme pra pele, ou um batom, que você não esquece de usar; cuidar dos ossos, da mente.
Se for homem, observar problemas ligados a próstata, e para ambos os sexos, ver seriamente a questão do cigarro e tentar levar uma vida o menos sedentária possível, enfim.
Estes são apenas alguns dos possíveis alvos do câncer, os mais falados, os mais temidos.
Se a gente não se cuidar, quem fará isso por nós?!
Conhecer seu corpo é a melhor maneira de reconhecer possíveis problemas.

Não tenha vergonha de se conhecer por dentro. Não tenha vergonha de perguntar. Fique atento ao que o seu corpo fala!
enviada por Nina
08/04/2008 04:55
Vida ao contrário?
A Ro Costa escreveu uma frase no blog do Lino
de autoria do Charles Chaplin. Eu achei a frase tão, mas tão interessante que to colocando aqui hoje. Olha gente, olha que coisa bonita.
"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?"

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Ro, não consigo comentar no seu blog.
Milla, no seu também não, desculpem meninas
enviada por Nina
07/04/2008 03:48
A Bisavó
Eu falo muito de passado porque as coisas que vivi são muito fortes ainda dentro de mim. Isso talvez seja envelhecer. Não que eu me sinta uma velha coroca, mas acho mesmo que faz parte dessa viagem ao envelhecimento uma viagem ao passado que vivemos. Já li em algum lugar que os mais velhos com problema de memória, por exemplo, Mal de Alzheimer, podem lembrar de coisas vividas há muitos anos mas não lembram o que fizeram há alguns minutos.
Meus filhos têm duas avós, nenhum avô mais, mas têm ainda uma bisavó! Ela tem 98 anos, se veste toda bonita ainda hoje, coloca seu batonzinho, pinta os cabelos, e todo dia está impecavelmente arrumada. Até pouco tempo atrás, ela ainda fazia crochê, e costurava roupinhas pra crianças de um orfanato em Belo Horizonte. Não a vejo há algum tempo, mas acho que ela ainda o faz.
Ela conta histórias de seu passado tão vivamente como se estivesse acontecendo agora, mas no dia do seu último aniversário, perguntava a todos, afinal pra que aqueles presentes, quem estava fazendo aniversário??
Dela tenho boas recordaçoes, de mim certamente, ela já não se lembra mais. Quando nos conhecemos, Laura tinha pouco mais de 3 meses de vida. Depois de alguns dias desse encontro, fomos a um restaurante, e a bisa me olhando curiosa, certamente me achando exótica pro seu neto de olho azul, pele branca, cabelo louro. No restaurante, ela sentava pertinho de mim e me contava da sua viagem ao Amazonas, quando a minha então sogra ainda era uma jovem. No meio de um copo de cerveja e outro, a bisa pediu pra os cantores tocarem India em minha homenagem. „India teus cabelos nos ombros caídos, negros como a noite que não tem luar“...
A bisa me abraçava e dizia que adorava agora ter uma índia na família.
E era assim o carinho dela comigo, meiga e irônica ao mesmo tempo, passava as mãos macias no meu rosto, quando nós a abraçavamos, tinha aquele cheirinho gostoso de vó, me mostrava fotos do passado, e mandava preparar almoços deliciosos pra gente se sentir em casa.
Quando ela começou a dar os primeiros sinais de esquecimento de alguns fatos mais atuais, ela esquecia até o neto, mas a índia aqui, não. Quando eu ia a BH ela dizia: „Nina, Nina, você nunca vem a Belo Horizonte, como vai o Amazonas?“
Eu me sentia à vontade com a bisa dos meus meninos, e eu me lembrava da outra bisa que eles não conheceram, aquela do Amazonas.
Agora acho que a bisa vive em outro mundo. Um mundo onde o marido dela ainda vive, onde a vida é mais simples. Um mundo onde ela ainda se lembra de tudo. Talvez por isso a bisa ainda chore enquanto fala como se fosse hoje...
como terá sido a vida de quem nasceu há quase 100 anos??

Como foi eu não sei, o que sei é que o contato dos nossos filhos com esse passado dos avós é primordial pra seu crescimento. Se você tem essa chance, não desperdice!
enviada por Nina
04/04/2008 07:42
Culpada!!
Estava olhando a tristeza da filhota depois de alguma nota não muito boa na escola, e vi de mansinho a chegada da velha senhora dona Culpa. Sorrateira como ela só. Maligna como só ela consegue ser.
Essa senhora desagradável, que chega de mansinho, sem fazer barulho, vai fazendo estragos absurdos através do tempo.
A senhora dona Culpa estava querendo me mostrar que negligenciei certas atitudes que deveria ter observado. Certas coisas que passaram por mim e só as percebi um pouco tarde. Sou desligada, desatenta, desorientada, perturbada... e dona Culpa sabe disso.
Já começava a aceitar o que a velha nojenta me sussurrava ao pé do ouvido, quando me percebi a perguntar porque diabos uma mãe tem que se sentir sempre a culpada por tudo??? Afinal um filho não é somente aquilo que herdou ou aprendeu com a mãe, ele não depende somente do pai, não depende somente de seus genes, nem somente dos amigos, da turma que ele está inserido, pra ser quem ele é. Um filho é um ser humano complexo.
Ele não é algo simplesmente porque eu quero que ele seja ou ele não deixará de ser algo porque eu falhei em algum momento, ele não é assim ou assado por minha culpa, ele é o acúmulo de várias coisas, ele é o total de tudo e é um total que como eu, como minha mãe, minha vó, meu bisavô, meu amigo, meu irmão, ainda não está completo.
Ainda vou ter a maturidade pra entender o que dizia a canção da Legião: „você culpa seus pais por tudo e isso é absurdo, são crianças como você, o que você vai ser quando você crescer“ e ai vou poder mandar aquela velha asquerosa pra baixa da égua...

Sai da frente bruxa do mal!!
enviada por Nina
03/04/2008 08:41
"É pelo sonho que vamos"
Hoje estou com vontade de falar de sonhos, desses que temos quando estamos acordados.
A Cris de Bourbon no primeiro aniversário do seu blog, quis fazer algo diferente e pediu que suas leitoras de blog escrevessem algo no estilo do livro "O Segredo", no qual acredita-se que tudo está dentro da gente mesmo, que tudo é uma questão de acreditar e viver como se o sonho já estivesse sido realizado. Topei a brincadeira. Hoje resolvi colocar aqui no post, pra vocês, que tiverem paciência suficiente, lerem.
Acho que é legal porque estou falando de esperança e crença num futuro melhor.
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Depois de muito chorar, e me sentir aos frangalhos, como todo dia, me levanto e me preparo pra mais um dia de luta. Pego o ônibus de 1 hora da manhã em direção a Manaus, e encaro 4 horas de viagem. Durmo e acordo com os solavancos do ônibus, sonho com uma melhor vida pra mim. Chego em Manaus ainda escuro, e tiro uma soneca sentada nas poltronas desconfortáveis da rodoviária, junto de pessoas que não têm um teto pra dormir. Ali me sinto uma mulher de sorte, apesar de chorar todo dia.
Quando finalmente o dia clareia, pego um ônibus até a faculdade. Passo um dia lá, entre livros, aulas práticas e bocejos, mas me sinto feliz por fazer algo por mim. Às 19 horas do mesmo dia, pego o ônibus de volta, mais 4 horas de viagem.
Chego em casa muito cansada, as crianças já dormem, o marido ainda briga. E eu vou dormir e procurar nos meus sonhos, a paz que preciso. E faço essa viagem a Manaus duas vezes na semana. Em uma outra semana, fico por lá 4 dias, numa outra 3 dias, enquanto meus filhos sentem minha falta, meu marido reclama pra eu voltar, apesar de apoiar a minha volta a faculdade deixada há uns 3 anos e eu me sinto a mais culpada das criaturas. Mas sigo em frente.
Numa dessas minhas 4 horas de viagem, decido que não posso mais ficar com ele. Estou cansada de sofrer todo dia. Mas não tenho força e nem dinheiro pra sair de casa. Decido permanecer ali, debaixo do mesmo teto, mas separados. Ficamos assim por 3 ou 4 anos!
As brigas continuam, mas me sinto diferente. Tem algo renovado dentro de mim. Me formo finalmente na faculdade, arrumo um bom emprego em 3 meses e saio de casa, porque ele se recusa a sair. Alugo uma casinha, pequena como de boneca, e mudo com poucas coisas que eram minhas. Peço um CD dele, dos Titãs, ele não me dá. Ele está muito chateado comigo e me diz que fui eu quem decidiu por separar, então devo ir sem meus filhos.
Me acabo de chorar depois que todos os poucos móveis são colocados na casinha, e meus filhos não estão lá pra me ajudar a colocar algum quadro na parede, ou decidir onde coloco a cômoda. Mas era necessário fazer algo, tomar uma decisão.
Aos poucos vou arrumando a casinha e ela fica bem agradável. Minhas amigas fazem festa de inauguração da "Casa da Nina" e assim a gente vai levando.
Nossas casas são próximas, as crianças eu vejo todo dia, depois da minha jornada de trabalho. Vou até a casa deles religiosamente, limpo e organizo a bagunça, conversamos um bocado, brincamos, depois ajudo nas lições de casa, passeamos de moto pela cidadezinha, ouço algumas palavras negativas vindas do ex marido e outras de vizinhas que não compreendem como uma mulher pode sair de casa e deixar seu „bom“ marido e seus dois filhos. Às 10 da noite vou pra casinha de boneca, pra acordar 4:50 da manhã e pegar o ônibus da empresa, que me leva ao meu trabalho na estrada.
Trabalho com pessoas que moram na floresta. Ribeirinhos que já não têm tantos sonhos. Mas têm a mim e ao meu chefe, pra ajudá-los de alguma maneira a encontrar sua dignidade perdida. Perdida assim como a minha.
Me encontro na felicidade infindável do meu sonho, onde estou feliz, com um amor sincero e bom. Um alemão me entrega uma aliança de noivado em cima das dunas de Jericoacoara, enquanto olho entre surpresa e feliz, as estrelas do céu de janeiro, perguntando se aquilo é mesmo real. Em alguns meses, me vejo na Alemanha. E casamos na minha cidade, na minha Manaus querida. Com meus amigos e familiares mais próximos. Meu filho de 10 anos me leva ao altar e minha filha de 13 carrega as alianças.
Meus filhos já estão comigo, e meu ex marido, aceita que eles venham morar comigo numa boa, não faz objeção alguma, porque ele sabe que sou uma boa mãe e ele afinal, é um ótimo pai. E ele agora reconhece meu valor. Esperei 14 anos por isso!!
Acordo. Estamos agora em Paris, o meu mais antigo sonho. Leio um jornal em frente a Torre Eifel e tomo um "café au lait" à beira do rio Sena. Meus filhos brincam sob o sol ameno da primavera, e meu marido fotografa esses momentos mágicos. Acordo. Tenho a paz que tanto pedi, aos prantos a Deus, no escuro do meu quarto. E acordo novamente. Agora, estou aqui no meu apartamento, escrevendo uma parte da minha historinha de vida, enquanto vejo a neve cair lá fora, vendo em relances o que passei, ao mesmo tempo que ouço as risadas dos meus filhos brincando. E meu doce marido me chama ao telefone, precisamos comprar mantimentos pra nossa viagem de feriado. E eu dou uma paradinha ao escrever para a princesa Fiona de Bourbon, mas não antes de complementar que SEMPRE vale à pena sonhar. Que mesmo que a vida esteja difícil neste momento, e que as lágrimas nos impeçam de enxergar algo melhor, a gente precisa olhar além da situação atual.
E jamais esmorecer.
Este é o meu segredo.
Esta é a minha Fé!
Detalhe: única coisa que ainda é uma não-verdade, é a tarde em Paris, mas já estamos nos programando pra isso. E mais um detalhe: meninas lindas, acreditem em seus sonhos!!! eles chegam na hora que vocês estiverem preparadas para recebê-los.
enviada por Nina
02/04/2008 03:54
Vovó Nina?
Eu tenho um blog, uma página que não está num caderno, nem num diário, que divido com minha filha Laura. Ela quase não escreve nele, acho que ela tem outros interesses maiores do que compartilhar segredinhos com a mãe. Mas enfim, tenho um blog. Tenho dois.
Aqui e acolá escrevo coisas que estão alojadas na memória. Um dia o pai dela perguntou porque e para quem afinal escrevo tanto.
Acho que pra ninguém, ou pra mim mesma. Pra me certificar de minha própria sanidade, da saúde das minhas lembranças.
Eu escrevo porque não quero esquecer. Não quero esquecer o que vivi, quero deixar registrado num espaço que é meu, e ao mesmo tempo, não é, nesse espaço que é de todos e não é de ninguém, registrar num espaço cibenético, que não é sideral, mas que é um espaço onde a estrela sou eu mesma.
E mesmo depois que eu cansar de tudo isso, cansar de escrever, e mesmo depois que todas as lembranças forem colocadas pra fora, e elas estiverem esgotadas e delas não sobrar mais nada das minhas saudades, das minhas lágrimas e das minhas vivências, vou poder apagar tudo, deletar e reescrever em outro caderno, em outro bloco de anotaçoes, em outro diário, porque assim somos nós. É por isso que estamos aqui. Para aprender com nossos próprios escritos, e uns com os outros.
Minha família, minhas queridas irmãs, meus amigos, minha infância, minhas vivências, minhas pequenas lutas, meus filhos estão todos aqui. Nas minhas lembranças. E vou passar adiante aquilo que aprendi da vida que levei. Quero ter a pretensão de fazer parte das lembranças dos meus filhos. Quero que meus netos saibam que a vovó Nina curtia escrever. E vou repetir pra eles, com a mesma emoção de hoje quando conto uma história pra os meus 2 filhos de um dos muitos pedacinhos de retalho da minha colcha. E vou contar cada coisinha que puder lembrar, mesmo que os netinhos repitam o que os filhos hoje já dizem: „sim vó Nina, eu sei, você já contou essa história“.

Ou quem sabe eles falarão: „Ahh vó Nina, já li no teu blog essa parte, conta outra historinha“, e aí a vovó Nina vai ter que inventar histórias, porque até lá talvez a memória já tenha ido pro beleléu e o blog também...
enviada por Nina
01/04/2008 03:35
Chocolates, Amy e Propaganda

Na páscoa os meninos ganharam mais chocolates do que poderiam comer durante todo o ano. A cada pessoa da família encontrada, era um embrulho cheio de chocolate. Eta povo pra gostar de dar doces pra criança, viu? E depois fica todo mundo falando que tá gordo... vai entender. Sei que as crianças amam, e não reclamam nadinha.
E a mamãe aqui só vai tratando de esconder tudo, guardando longe dos olhos deles, procurando desesperadamente lugares pela casa, escondendo mais do que escondo no dia da páscoa, porque se deixo à vista, tudo acaba bem mais rápido do que eu penso que eles são capazes.
O que eu gostei mesmo é que o coelhinho me presenteou também, tô ouvindo os dois CDs que ganhei da Amy Winehouse. Podem falar o que for dessa maluquinha, mas que ela canta bem pra caramba, ahh isso ela canta!
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Minha irmã Nirley escreveu no outro blog, adivinha sobre quem? Sobre mim!!! Passa lá! Foi uma surpresinha e eu fiquei toda boba, é claro! Ela falou que ver comentários lá, então, se você estiver disposto, tá aí o link http://sorriamenina.blogspot.com/
Um pouco de propaganda de si mesmo de vez em quando é bom, não é?!
enviada por Nina
31/03/2008 04:00
"Querida, voltei!"
Ooiiii estamos de volta! A Núbia até reclamou que estávamos demorando muito pra escrever, rsrsrs, maior bronca no blog, e da irmã caçula!! Oops! maninha docinha, a gente estava viajando. Mas olha, deu a maior saudade!!!
Apesar da saudade, foi ótimo. Os quase últimos dias de inverno estão indo finalmente embora, as primeiras flores da primavera já estão dando as caras pra nossa alegria. Ontem o dia foi quente, 19 graus, com um sol brilhando por entre os vidros da janela do carro, buááá, estávamos em viagem de volta pra casa. Cansados, mas alegres pelo que vivemos na semana e por estarmos de volta a nossa casinha.
Passamos uma semana nas montanhas, na região da Baviera, e no ponto mais alto da Alemanha, o Zugspitze (lá estava 20 graus negativos!!). Região linda, mais ao sudeste da Alemanha, com muuuuuita neve. A semana toda foi de neve, os dias não estavam muito ensolarados, a temperatura onde estávamos era de 6, 7 graus negativos, mas adivinha: as crianças até suaram no alto da montanha, eu falei pra vocês que ia colocar a molecada pra mexer o corpo?? então, eles foram esquiar!
Apesar do cansaço inicial, as pernas doem muito, eles curtiram muito. No segundo dia Laura já queria desistir, deu até dor de cabeça na mocinha, mas ela resistiu a prequiça. Encarou legal. Se sairam muito bem pra primeira vez!
Eu?? bom, eu tentei, mas aquela definitivamente não é minha praia. Sou muito medrosa, olhar aquela montanha de cima pra baixo e ter que descer com um troço que desliza e eu nao tenho o menor controle sobre ele, não é comigo. Eu gritava de raiva e de medo, só queria parar aquele troço deslizante. O que dava mais raiva era ver uma criancinhas de no máximo 3 anos, dando um banho de coragem em mim, desafiando o perigo, passando voando do meu lado... aiii ódio!!!
Mas pude ainda aproveitar algumas descidas, devagar e calmamente. Sai de lá orgulhosa dos meus dois fofuchos. Tão lindinhos, esquiando. Mas eu, bem, eu prefiro os trenós de crianças! esses eu encaro!
Tem umas fotinhas pra vocês

Explicando as paisagens: a primeira foto foi na nossa ida, passamos pela Áustria, na região do "Bodensee", o maior lago da Alemanha e que passa por três paises, é o mar alemão, mas na verdade, é somente um lago. A outra foto, foi feita numa gruta, dentre do jardim de um dos castelos do rei Ludwig, o rei sol alemão, ele ficava lá ouvindo música no verão, tem um ar super romântico. A janelinha é pra vocêss verem como as famílias enfeitam as janelas na páscoa, ou os jardins, com ovos pintadinhos pendurados nas plantas. Na outra foto, uma visão da montanha em neve, na estação de esqui, e uma passeadinha por Munique. Bonito demais!
enviada por Nina
21/03/2008 09:51
Feliz Páscoa
Hoje é Sexta-Feira Santa. Dia que me lembro que lá na casa da minha mãe, nós não podíamos fazer barulho, falar alto, ouvir música, nem ver TV. Minha mãe era rígida com isso. Era dia de respeito, dia de visitar a minha querida vó Laura, e dia de pedir a benção de joelhos. Até hoje não entendo porque tínhamos que fazer assim, mas, era assim.
E hoje no café da manhã João me perguntou pra onde Jesus foi depois de ressuscitar. Eu estava explicando o pouco que sabia da história, e me peguei com os olhos cheios de lágrima, enquanto falava que Jesus veio a esse mundo com uma super missão, falar de amor. Quer exemplo maior do que esse? Quem conhece um pouquinho da Bíblia, sabe que no Antigo Testamento tudo era muito sanguinário, tantas guerrras, tantas mortes. Já no Novo, quando entra a história de Jesus, é uma nova fase. Ele aqui na terra, foi alguém muitíssimo especial, que veio nos ensinar o sentido do amor.
Mas como não sou especialista nesses assuntos, prefiro não arriscar, falando alguma bobagem, alguma heresia, então vou parando por aqui, porque se aprendi alguma coisa na igreja, foi ter respeito por esse assunto. Não brinco jamais com os assuntos de Deus, e prefiro não falar do que não sei...
Mas não páro antes de desejar a todos uma Feliz Páscoa. Que hoje vocês consigam sentir o espírito de Deus ao seu redor, e que cada um de vocês tenha a paz que necessita.
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Vamos fazer uma pequena viagem, e não teremos computador para postar. Então, nos vemos daqui há uma semana??? Então tá combinado. Vamos sentir saudade, mas vamos nos divertir também, lembra que eu falei sobre usar menos computador?? pois é, vou colocar a molecadinha pra mexer o corpo, uuhhuuu!!
Um grande abraço, cheinho de carinho pra todo mundo
e uma especial de aniversário para o Francisco, filhinho da Pequena e do Gui, que faz uma aninho de vida!
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Quem achar os ovos de páscoa ganha um beijinho!!
Aprendi há pouco tempo o significado dos ovos, eles representam a renovação espiritual.
Para você que é mãe, eu tenho uma sugestão legal, que faço até hoje pra os meus pequenos. Encho a cada de pequenas pistas, escrevo em papéis distribuídos pela casa, pista que eles têm que desvendar e que vão levá-los de uma a outra, até o prêmio, um grande ovo de chocotate. Eles adoram e todo ano perguntam se vou fazer a brincadeira do mapa da mina. Esse ano vai ser mais difícil, vai estat tudo em alemão... ahahaha, como eles dizem: "mas que mamãe malvada".
Abraços!!!
enviada por Nina
20/03/2008 04:36
Já pra rua! Agora!!
Estávamos dentro de casa outro dia. Laura lia um livro esperando ansiosamente pelo momento em que eu sairia do computador pra ela usar, vinha de 10 em 10 minutos perguntar se eu já tinha acabado, João jogava no Playstation, ambos um tanto entediados. De repente eu levantei da cadeira que já estava na forma do bumbum ou seria o contrário? E fiz os meninos colocarem uma jaquetinha por causa do frio e um tênis pra irmos brincar lá fora, no gramado da casa. João alegrou-se no mesmo instante e Laura reclamou até a hora que começou a dar uma aquecida, finalmente, no corpo. Ficamos mais de uma hora lá, entre bolas, bolinhas, raquetes, corridas, risadas e abraços.
Depois retornamos pra dentro enquanto prometia a mim mesma que faria isso com meus filhos mais vezes. Não repeti. Tem uma semana. Mas já consegui a muito custo fazer com que Laura fosse brincar com o irmão dois dias atrás. Só assim ela poderia usar a internet aquele dia. Ela foi muito chateada, tinha té lágrimas nos olhos!!! Mas foi, e depois de mais de 45 minutos, de patins e bolas na rua, nem lembrou do computador. Em seguida, saimos para passear em outra cidade e ela se divertitiu à beça. Ontem ela repetiu a dose, pra alegria da mãe e do irmão.
E fiquei pensando que o computador é a nova televisão. As pessoas passam muito do seu tempo ali e esquecem do resto das coisas. Eu, Laura e tantos outros estamos esquecendo das outras coisas importantes da vida. Quando peço para as crianças brincarem lá fora, a Laura sempre diz que isso é muito chato. Que não tem graça nehuma. Que isso é coisa da minha infância e não da dela, que os jovens hoje tem outras alternativas que não seja brincar lá fora.
(!!!!!!!!!!!!!)
Como assim? Que outras? Ficar com o bumbum colado numa cadeira por horas é legal?
Reconheço que adoro internet e você pode notar, já que posto todo dia. Aprendo muito aqui e conheço pessoas. Nos posts, coloco o que penso me dando o prazer de fazer uma pequena terapia em mim mesma. Mas. A vida não é só isso, é?
O que a Laura vai ganhar ficando o dia todo aqui? De frente pra tela? Os alemães falam que ela vai ganhar olhos quadrados. Além de gorduras localizadas e nada de muita saúde. Ela não se movimenta! É impressionante.
Tá certo, na minha época... ahhh na minha época. Vivíamos na rua. E éramos extremamente felizes quando estávamos lá. Mamãe tinha que brigar pra voltarmos pra casa, aos berros da porta de casa. Hoje, na época da Laura, tenho que brigar pra eles irem pra rua!
Quandoeram pequenos, depois de mudarmos pra uma casa nova, e eles estarem grudados como sempre na TV, aquela maravilha, já que o pai havia comprado a tv paga, Sky que representava o sonho das crianças, o dia inteiro de desenho animado.Uau! Um dia aquilo me irritou tão profundamente, os olhos da molecadinha nem piscavam. Deu um estalo em mim e os obriguei: Já pra rua!
Recusaram, bateram o pé, ficaram de mal comigo por instantes. Mas foram, muito contrariados, com um bico enorme no rosto, braços cruzados de indignação, mas foram. Não conheciam nenhum amiguinho na rua ainda, e estavam envergonhados de ficarem sozinhos, então, como sempre, eu fui acompanhar, comecei a brincar com eles, e alguns minutos depois, começou a juntar criança. Depois de 20 minutos a minha presença já não era importante ali. Saí de fininho e eles voltaram pra casa muito tempo depois, dizendo que foi muuuito legal!! que fizeram amizade e que amanhã teria mais.
Aquele bairro foi pra eles o lugar entre muitos lugares que já vivemos, o que eles mais gostaram de morar.
E isso não foi bom???
Porque isso era coisa do meu tempo???
Não senhora! Brincar é bom pra todo mundo. Reconheço que pra criança é mais fácil do que pra uma mamãe, com dores nas costas, ou de cabeca, ou com aquela cozinha pra limpar, mamãe já não pode (talvez não) dar as puruetas que dava antes, mas é uma delícia brincar.
Da volta aos tempos atuais, 3 dias depois da brincadeira no gramado, estávamos estudando juntos e eu pedi que eles fizessem um desenho livre, bem bonito, de algum momento de suas vidas. Laura desenhou o Rio de Janeiro, com detalhes engraçados. E João fez o dia lá fora no gramado, entre bolas, bolinhas e risadas, com pequenas Lauras, Joãos, e Ninas, rindo muito e se divertindo.
Caiu a ficha. Aquele momento foi importante para o meu pequeno, e nós não tínhamos visto seu olhar e riso de felicidade. É isso.
Descobrir pequenas coisas fora da internet vai fazer bem a todos e trará boas lembranças as crianças, lembranças „da sua época“...

E nós qui teremos um momento alegremente eternizado nos desenhos infantis do meu João.
enviada por Nina
19/03/2008 08:43
All You Need Is Love
Não reparem o troca troca de templates, é isso que dá você dividir um blog com sua filha de 13 anos. Aquele rosinha tava me deixando enjoada. Chegamos num consenso: a gente gosta mesmo é de azul.
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Hoje, lá no delicioso blog da














